Relatos ao Pé da Letra

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O tempo.

Setembro 18, 2009 · Deixe um comentário

Pensei em escrever alguma coisa sobre o tempo, mas descobri que não tenho competência nem vivi o suficiente pra isso. Então, tentei me lembrar de músicas que eu adoro, tanto pela letra como pela melodia, e que falam do tempo.

Então me lembrei  de Resposta ao Tempo, composta por Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, lindamente interpretada por Nana Caymi.  Quem ainda não ouviu,  procure ouvir.  A letra é esta poesia. Uma conversa com o tempo.

Batidas na porta da frente, é o tempo

 Eu bebo um pouquinho pra ter argumento

 Mas fico sem jeito calada, ele ri

Ele zomba do quanto eu chorei, porque sabe passar e eu não sei

Num dia azul de verão, sinto o vento

 Há folhas no meu coração, é o tempo

Recordo um amor que perdi, ele ri

Diz que somos iguais, se eu notei

Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos

Que amores terminam no escuro… Sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto

Que ele adormece as paixões, eu desperto

E o tempo se roi com inveja de mim

Me vigia querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer

Eu posso, ele não vai poder… Me esquecer.”

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Elton.

Dezembro 14, 2008 · 1 Comentário

Voluntária, involuntária e… Estranhamente, a voz dele tem embalado mudanças importantes na minha vida.

Meu primeiro namorado, ainda no início da década de 70 já não tem mais  rosto, só a melodia de Goodbye Yellow Brick Road.  Em meados da mesma década, descobri o Rock e o The Who. Assisti a Tommy mil vezes e mil vezes ouvi Pinball Wizard. No final daquela mesma década, já na faculdade de Jornalismo, longe de casa…  Mama can´t buy you love ajudou-me a crescer.

No início da década seguinte, casei, tive uma filha e descobri o jazz. Mas Little Jeannie me acompanhou. Em meados dos anos 80, me separei, mudei de cidade mas Nikita e  Bennie and the jets também me acompanharam. E estavam por toda parte. No final da década, com Sacrifice, cheguei a São Paulo. 

Nos início dos anos 90, casei-me novamente com George Michael e Elton entoando Don’t let the sun go down on me. Novamente estavam em todo lugar.  Perdi meus pais em meados da mesma década em que o mundo perdeu a princesa. Só se ouvia Candle in the wind. Foi um tempo de perdas.

Na primeira metade dos anos 2000, ganhei muito, perdi muito, but…This train don’t stop there anymore. The Bridges, logo depois, me abriu outros caminhos.

Bem… Elton John vem aí novamente. Logo no início de 2009.

Sinal de mudança…

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Portugal.

Novembro 16, 2008 · 4 Comentários

Aos meus antepassados (ao meu avô Joaquim) e meus amigos portugueses e filhos de portugueses João Monteiro e Mariana Gancho. Para eles, Fernando Pessoa em versos sobre “Um Império que se desfez”, mas que de alguma forma lá no fundo, ainda somos nós… Conquistando a distância e o desconhecido. Sempre!

O INFANTE

“Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

Deus quis que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo até o fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou, criou-te português.

Do mar e nós em ti nos deu sinal.

Cumpriu-se o Mar e o Império se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!”

NEVOEIRO

“Nem Rei nem Lei, nem paz nem guerra,

Define com perfil o ser,

Este fulgor baço da terra

Que é Portugal a entristecer -

Brilho sem luz e sem arder,

Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.

Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.

Que ânsia distante chora?

Tudo é incerto e derradeiro.

Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro. É a hora….”

MAR PORTUGUÊS

“Mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por ti cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram,

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, Mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele que espelhou o céu.”

VALE A PENA SE A ALMA NÃO É PEQUENA. 

Essas poesias foram lindamente musicadas por André Luiz Oliveira nas vozes de Elba Ramalho, Gal Costa e pelo próprio André, respectivamente, num CD meio antigo chamado Mensagem, que foi remasterizado em novembro de 1996. Lembrando que na faixa “Nevoeiro” André Oliveira divide a composição com Zeba D´Al Farra. Outras poesias foram cantadas no mesmo CD por Caetano Veloso, Ney Matogrosso, Zé Ramalho, Elizeth Cardoso, Moraes Moreira, Gilberto Gil, Belchior, Glória de Lurdes e Cida Moreira.  Lindo!

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Uma tarde em Itapuã.

Outubro 5, 2008 · 6 Comentários

Deve ser ótimo passar uma tarde em Itapuã. Mas também foi ótimo passar uma tarde com minhas amigas Luciana e Mariana em casa assistindo aos shows do Roger Waters In the flesh-live, em Oregon nos EUA (se bem que eu acho que em São Paulo foi melhor), curtindo com um bom vinho “ Mother”,  “Wish you were here”, “Shine on you crazy diamond” e “Breathe” . E depois assistir ao show inteirinho de Eric Clapton com participação de Phil Collins e músicas inesquecíveis como “Crossroad”, “Miss you” e “In the air tonight”. E depois assistir a Santana In the Supernatural com “Yaleo”, “Love of my life” e “Africa bamba”. E depois assistir a Ney Matogrosso interpretando lindamente Cartola em músicas como “As rosas não falam”, “Acontece”, “Basta de clamares inocência” e “O mundo é um moinho”. E depois assistir extasiadas ao show de Maria Bethânia em Tempo, Tempo, Tempo, Tempo com músicas como “Olha maria”, “Modinha”, “Olhos nos Olhos”, “Felicidade”, “Gente humilde” e finalmente ”Tarde em Itapuã”.

Pois é… Seja em Itapuã, seja em lugar qualquer, passar a tarde com amigos é sempre ótimo!

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Jessye Norman sings Michel Legrand, 2000

Junho 23, 2008 · Deixe um comentário

Ligue o som, apague as luzes e deixe-se levar pela voz descrita no Washington Post como “huge, expressive, opulent” entoando canções inesquecíveis de Michel Legrand.

Atenção especial a “What are you doing the rest of your life”, “Dis-moi”, “Celui-là, “Les moulins de mon ceur”, ” Les parapluies de cherbourg” e à belíssima “The summer knows” (quem tem mais de 4.0, deve lembrar-se do filme que em português recebeu o título de “Houve uma vez um verão”).

Jessye Norman é uma cantora de música erudita, negra, linda, nascida em Augusta, na Geórgia, EUA. Já se apresentou com enorme sucesso não apenas nas maiores cidades dos Estados Unidos, mas em Paris, Londres, Edinburg, Salzburg, Tel-Aviv e Estocolmo. Já Michel Legrand, dispensa comentários…

Como bem lembrado no texto que acompanha o CD, já dizia Duke Ellington: “There are only two kinds of music… Good and bad.”  As deste CD seguramente estão entre as mais belas canções de todos os tempos. Aproveite.

Da próxima vez, vou falar de Cole Porter. Aguarde.

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