Relatos ao Pé da Letra

Entradas do Setembro 2009

O tempo.

Setembro 18, 2009 · Deixe um comentário

Pensei em escrever alguma coisa sobre o tempo, mas descobri que não tenho competência nem vivi o suficiente pra isso. Então, tentei me lembrar de músicas que eu adoro, tanto pela letra como pela melodia, e que falam do tempo.

Então me lembrei  de Resposta ao Tempo, composta por Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, lindamente interpretada por Nana Caymi.  Quem ainda não ouviu,  procure ouvir.  A letra é esta poesia. Uma conversa com o tempo.

Batidas na porta da frente, é o tempo

 Eu bebo um pouquinho pra ter argumento

 Mas fico sem jeito calada, ele ri

Ele zomba do quanto eu chorei, porque sabe passar e eu não sei

Num dia azul de verão, sinto o vento

 Há folhas no meu coração, é o tempo

Recordo um amor que perdi, ele ri

Diz que somos iguais, se eu notei

Pois não sabe ficar e eu também não sei

E gira em volta de mim, sussurra que apaga os caminhos

Que amores terminam no escuro… Sozinhos

Respondo que ele aprisiona, eu liberto

Que ele adormece as paixões, eu desperto

E o tempo se roi com inveja de mim

Me vigia querendo aprender como eu morro de amor pra tentar reviver

No fundo é uma eterna criança que não soube amadurecer

Eu posso, ele não vai poder… Me esquecer.”

Categorias: Dicas de boa música

Acaso.

Setembro 9, 2009 · 1 Comentário

Comecei a ler “O Andar do Bêbado” quase por acaso. Ou talvez para tentar entender o que leva uma pessoa, em certo ponto da vida, a fazer um curso de Ciências Atuariais. Aliás, não por acaso, tenho muitos amigos atuários.

O livro do físico americano Leonard Mlodinow trata das probabilidades (coisa de atuário?!). Mais especificamente de como o acaso comanda nossas vidas e de quanto não nos damos conta disso apenas porque nosso cérebro, ao menos o hemisfério esquerdo dele, fica tentando encontrar um padrão em todas as situações, mesmo quando não existe um padrão. Parece que não fomos mesmo programados para eventos fortuitos, para a aleatoriedade, para a incerteza .

Talvez seja por isso que não damos à Sorte o crédito pelos nossos sucessos nem ao acaso o fato de estarmos num e não noutro caminho. Pelo contrário, temos certeza de que fomos nós que escolhemos nosso destino ao fazermos escolhas.

O livro termina com uma saída: “Minha mãe me ensinou a aceitar os eventos fortuitos que nos causam sofrimentos (…) E a apreciar a ausência das doenças, da guerra, da fome e dos acidentes que não – ou ainda não – nos acometeram.”

É… Eu sabia que tinha uma boa explicação para eu ter ficado hoje sete horas dentro de um carro tentando chegar em São Paulo debaixo de uma interminável tempestade.

Mais um evento fortuito que me livrou de algo pior?

Quem sabe?

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