Li neste final de semana, numa matéria sobre violência no trânsito, as seguintes palavras de um entregador de pizza fotografado em pose imponente sobre sua motocicleta: “Se eu estiver certo, persigo o motorista e vou até o fim. Já arranquei uns três retrovisores”(Veja S. Paulo, Ed. 2123 de 29/07/09).
Afora imagens espantosas de violência entre motoristas, essa frase do entregador de pizza ficou na minha cabeça e provavelmente na de muitas pessoas que leram a reportagem, por um motivo igualmente espantoso: o de que é (ou parece que é) plenamente natural dar uma entrevista a um jornalista, afirmando que se vai cometer uma violência sem nem se preocupar com as conseqüências. Talvez porque já vivamos numa sociedade que não pune, mas tolera e até incentiva tudo o que é violento. Para muitos, provavelmente esse entregador de pizza é o “garoto esperto que não leva desaforo pra casa”. Para outros, é a próxima vítima de seu próprio instinto porque mais dia menos dia ele vai encontrar pela frente alguém ainda pior que ele.
Para mim, fica só a sensação de que estamos cada vez mais nos conduzindo pela lei de talião, aquela que prescreve ao transgressor pena igual ao crime que praticou, princípio que ainda é utilizado em muitos países do Oriente. Aqui, lamentavelmente acrescido de uma boa dose de cruel banalidade.
Pobre de nossa sociedade… Pobre de nós.