Esses dias surpreendi um conhecido aparentemente insatisfeito com o mundo de aparências em que vivemos, aparentemente genial, aparentemente excêntrico… “Relativizando valores e os tratando como meios de atingir seus objetivos” – como bem definiu o ex-secretário de Estado americano, Henry Kissinger em frase sobre estadistas publicada esta semana em algumas revistas: “Ao contrário dos cínicos – disse ele – os estadistas baseiam suas decisões práticas em convicções morais”.
Estavam bem ali na minha frente todas as evidências do comodismo e da impotência quase cômica que caracterizam os cínicos. Senti-me ridícula no meu idealismo fora de época. Não que ser cínico o torne melhor ou pior que eu. Apenas o torna diferente de mim.
E talvez (quem sabe?) o que nos torne diferentes seja apenas o fato dele “conhecer o preço de todas as coisas, mesmo não lhes conhecendo o valor”, como bem lembrou o genial Oscar Wilde, e eu de dar importância demais a coisas que sei que valem pouco.
Só isso.