Relatos ao Pé da Letra

Entradas do Junho 2009

Vida de artista.

Junho 27, 2009 · 4 Comentários

Sem querer desmerecer o talento do artista – e o artista, neste caso, tinha talento – mas o fato é que há menos de dois dias CDs e DVDs de Michael Jackson permaneciam “encalhados” nas grandes lojas de varejo do país. Assim como “encalhou” o leilão recente de objetos pessoais do cantor, no qual constava um quadro em que ele posava de rei.

Mas nada como o poder ressuscitador da midia para colocar um ídolo decadente novamente em cena e no topo das paradas de sucesso.

Pena que para isso, em muitos casos, o artista tenha que morrer. Na maioria das vezes, antes do final.

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Lina.

Junho 17, 2009 · Deixe um comentário

Nascida Arcangela Felice Assunta Job Wertmüller von Elgg Espanol von Brauchich, logo depois da ponte do rio Tibre, em Roma, a cineasta Lina Wertmüller  ficou conhecida por ter sido assistente de Federico Fellini no filme Oito e Meio, mas também, e sobretudo, por filmes como Pasqualino Sete Belezas, Mimi, O Metalúrgico, Irmão Sol Irmã Lua, Destino Insólito dentre outros, todos  voltados para a valorização da cultura de seu país.

Anos atrás ela deu uma entrevista num programa de televisão brasileiro chamado Conexão Roberto D´Àvila, que de tão atual pode ser assistida uma década depois sem que percebamos o passar do tempo. Na entrevista, Lina fala de valores culturais, cinema,  moda,  arte, da sua querida Itália e, acima de tudo, fala daquilo que foi sempre a essência de seus filmes, a beleza.

Sobre o cinema americano: “Não permite confronto com outras culturas”.

Sobre a moda: ” Há vinte anos podíamos identificar que época era a partir da moda. Agora há cada vez mais desfiles, mas na verdade a moda parou. A época não se exprime mais através da moda. Tornou-se um patchwork.”

Sobre Cultura: “Muita coisa é produzida, muita coisa é anunciada, mas tudo é bastante drogado contra a criatividade. Quanto mais se faz comércio, quanto mais gritam as TVs, menos se defende a qualidade da criatividade humana.”

Sobre o século XX: “O século XX correspondeu a quase meio milênio por tudo o que aconteceu. A Ciência fez com que tudo se acelerasse.”

Sobre a sustentabilidade do planeta: “Somos a flor do planeta, a maravilha, a arte, a cultura, a beleza, a música, a inteligência ou somos um câncer? Não somos capazes nem de conservar a harmonia da terra.”

Sobre valores culturais: “O futuro tem um coração antigo.”

Sobre a vocação da Itália: ” Somos um país afortunado. Na Itália estão mais de 70% das obras de arte do mundo. Sempre tivemos no DNA essa capacidade de fazer arte. A nossa história gerou muita beleza. Quando a Itália era dividida em pequenos reinos, cada duque, rei ou príncipe queria mostrar o seu poder através da beleza. Isso nos deu um patrimônio maravilhoso. A Itália é o país de muitos renascimentos. Por isso, acho que devemos hoje em dia apostar novamente na beleza.”

E, enfim, sobre a beleza: “Quando um homem ou um país se torna rico, quando satisfaz as suas necessidades primárias, a fome, a sede, o calor, o frio, o que pode comprar com o que  ganha? A beleza! É preciso que as novas gerações percebam isso porque trata-se de uma grande dádiva para a humanidade.”

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Outra vez, felicidade.

Junho 11, 2009 · 1 Comentário

E revisitando García Márquez, desta vez em Do Amor e Outros Demônios, livro com o qual fui gentilmente presenteada por um amigo, reencontro uma curiosa definição de felicidade.

Sierva María de Todos Los Ángeles, personagem de imensa cabeleira “que se arrastava como a cauda de um vestido de noiva” e cuja essência só lendo o livro para entender, estava doente, com suspeita de raiva, após ter sido mordida por um cachorro. Filha única de um marquês, este decidira que a menina iria morrer em casa. O médico que acompanhava o caso, entendendo a decisão do pai, deu assim a sua resposta à pergunta do que fazer enquanto isso:

“Enquanto isso” – disse o médico – “Toquem música, encham a casa de flores, façam cantar os passarinhos, levem-na para ver o pôr-do-sol no mar, dêem-lhe tudo o que possa fazê-la feliz (…)  Não há remédio que cure o que a felicidade não cura.”

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