Nascida Arcangela Felice Assunta Job Wertmüller von Elgg Espanol von Brauchich, logo depois da ponte do rio Tibre, em Roma, a cineasta Lina Wertmüller ficou conhecida por ter sido assistente de Federico Fellini no filme Oito e Meio, mas também, e sobretudo, por filmes como Pasqualino Sete Belezas, Mimi, O Metalúrgico, Irmão Sol Irmã Lua, Destino Insólito dentre outros, todos voltados para a valorização da cultura de seu país.
Anos atrás ela deu uma entrevista num programa de televisão brasileiro chamado Conexão Roberto D´Àvila, que de tão atual pode ser assistida uma década depois sem que percebamos o passar do tempo. Na entrevista, Lina fala de valores culturais, cinema, moda, arte, da sua querida Itália e, acima de tudo, fala daquilo que foi sempre a essência de seus filmes, a beleza.
Sobre o cinema americano: “Não permite confronto com outras culturas”.
Sobre a moda: ” Há vinte anos podíamos identificar que época era a partir da moda. Agora há cada vez mais desfiles, mas na verdade a moda parou. A época não se exprime mais através da moda. Tornou-se um patchwork.”
Sobre Cultura: “Muita coisa é produzida, muita coisa é anunciada, mas tudo é bastante drogado contra a criatividade. Quanto mais se faz comércio, quanto mais gritam as TVs, menos se defende a qualidade da criatividade humana.”
Sobre o século XX: “O século XX correspondeu a quase meio milênio por tudo o que aconteceu. A Ciência fez com que tudo se acelerasse.”
Sobre a sustentabilidade do planeta: “Somos a flor do planeta, a maravilha, a arte, a cultura, a beleza, a música, a inteligência ou somos um câncer? Não somos capazes nem de conservar a harmonia da terra.”
Sobre valores culturais: “O futuro tem um coração antigo.”
Sobre a vocação da Itália: ” Somos um país afortunado. Na Itália estão mais de 70% das obras de arte do mundo. Sempre tivemos no DNA essa capacidade de fazer arte. A nossa história gerou muita beleza. Quando a Itália era dividida em pequenos reinos, cada duque, rei ou príncipe queria mostrar o seu poder através da beleza. Isso nos deu um patrimônio maravilhoso. A Itália é o país de muitos renascimentos. Por isso, acho que devemos hoje em dia apostar novamente na beleza.”
E, enfim, sobre a beleza: “Quando um homem ou um país se torna rico, quando satisfaz as suas necessidades primárias, a fome, a sede, o calor, o frio, o que pode comprar com o que ganha? A beleza! É preciso que as novas gerações percebam isso porque trata-se de uma grande dádiva para a humanidade.”