“Conversando” por email com meu amigo Affonso Fausto – que pelo texto abaixo, começo a desconfiar que se chama Fausto (*) não por obra do acaso… Parei pra pensar em Deus. Não naquele do colégio de freiras, que assombrava, punia e até se vingava de crianças inocentes. “Deus está vendo”… Sempre! E está mesmo, já que é onipresente. Mas via exatamente por quê, já que sabe tudo, posto que é onisciente? E pra quê? Já que é onipotente? Naquela época eu tinha medo de Deus.
Hoje Ele me parece mais inefável – já que me faltam palavras – que concreto, já que não me é nitidamente claro e definível – ou ainda abstrato, embora em algumas ocasiões eu o tenha sentido de modo concreto na minha vida. O fato é que não consigo dar a minha opinião, amigo Fausto, sobre a “abstralidade” ou a “concretude” de Deus. Mas aí vai o seu texto como provocação aos leitores deste Blog.
“”A pois, hoje fiquei indignado ao me lembrar que, no Colégio Marista, em Santos, numa análise gramatical de uma oração qualquer, me engalfinhei com um Ir. Marista que não aceitava a minha classificação gramatical de “Deus” como substantivo “abstrato”! Queria, porque queria, que fosse “concreto”, embora muito semelhante à “caridade”, à “esperança” e à vontade que tive de estraçalhá-lo. Perdi a batalha, mas não a guerra! Vou providenciar junto ao Gabriel Chalita, por exemplo, que force aos abnegados Irs., via artigos e alguma coisa mais, que admitam ser Deus um substantivo abstrato… Não há qualquer “capitis diminutio” em se ser abstrato, a não ser o fato real de não ocupar lugar no espaço, não é mesmo? Se Ele fosse realmente concreto não poderia ser onipresente, pois ocuparia todo o espaço disponível e, somente o Inferno estaria disponível para nós, simples mortais! Se Deus é onipresente, somente poderá ser abstrato, até para seu conforto, concorda? Gostaria de saber a sua opinião, pois a respeito como excelente conhecedora do Português (perdão, da língua portuguesa…) e me sinto como se estivesse fazendo uma análise, pois nunca remeti aquele professor ao lugar que lhe cabia… “
Forte abraço e grande beijo do amigo “concreto”,
Affonso Fausto
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(*) Fausto é o protagonista de uma popular lenda alemã de um pacto com o demônio, baseada no médico, mágico e alquimista alemão Dr. Johannes Georg Faust (1480-1540). Considerado símbolo cultural da modernidade, Fausto é um poema de proporções épicas que relata a tragédia do Dr. Fausto, homem das ciências que, desiludido com o conhecimento de seu tempo, faz um pacto com o demônio Mefistófeles, que o enche com a energia satânica insufladora da paixão pela técnica e pelo progresso. Fonte: Wikipédia.