Das coisas non-sense que já li, um trecho do conto Fragmentos do livro Diário Mínimo, de Umberto Eco, está certamente entre os mais demonstrativos da estupidez humana. Num fictício Congresso Intergaláctico de Estudos Arqueológicos “a realizar-se” no ano 121 D.E. (Depois da Explosão, que tornou extinta nossa civilização como hoje a conhecemos), cientistas no futuro tentam encontrar (e entender) vestígios desta nossa “antiqüíssima” cultura. O trecho começa assim: “E recordaremos que a Ciência italiana da época devia encontrar-se indubitavelmente avançada no capítulo das pesquisas genéticas, embora esses conhecimentos fossem provavelmente utilizados segundo fins de uma prática racista da eugenia, como sugere a caixa de um pacote que deve ter contido um medicamento destinado a melhorar a raça, com a inscrição OMO (alteração do latim homo e contração na gíria do Uomo itálico) – o branco mais branco“. Não é ótimo?
Em Diário Mínimo, além de Fragmentos, Umberto Eco apresenta-nos à Mike Bongiorno. Quem trabalha com Comunicação ainda se espanta com a atualidade do texto: “O homem rodeado pelos mass media é no fundo, entre todos os seus semelhantes, o mais respeitado: não se lhe pede nunca senão que se torne aquilo que já é. Por outras palavras, são-lhe provocados desejos estudados segundo a pauta das suas tendências“.
Mais pós- moderno que isso, impossível.
1 resposta Até agora ↓
Edson // Setembro 22, 2008 às 11:40 am |
Sem dúvidas continua atual ^^