Sempre que leio nos jornais que alguém matou alguém e depois foi ao cinema ou foi fazer outra coisa “como se nada tivesse acontecido”, lembro-me inevitavelmente (mas com todas as ressalvas, é claro) de Meursault, que não chorou no enterro da mãe, que matou um homem sem motivo e que ao ser inquirido pelo juiz que o condenaria à morte sobre se ele estava arrependido do seu ato, respondeu simplesmente que “Mais do que verdadeiro arrependimento, sentia um certo tédio.”
Meursault é o personagem principal de “O Estrangeiro”, primeiro romance de Albert Camus (1913-1960), escritor que explorou de forma magnífica o tema do absurdo da existência humana.
A história de “O Estrangeiro” é tão simples que chega a ser banal. Tão banal quanto a existência de Meursault que acaba sendo executado mais pela ausência de sentimentos que pelo crime cometido.
Meursault não mente, não omite, não engana, não trapaceia. Talvez seja isso que não perdoamos nele. Essa falta de “humanidade”.
1 resposta Até agora ↓
DANY // Setembro 16, 2008 às 9:55 pm |
MEU DEUS! COMO CABE TANTA COISA BOA E INTELIGENTE NESSA SUA CABECINHA?!?!?
Este seu blog é um vício!! A-d-o-r-e-i !!
Mas confesso, dá até medo de ficar perto de vc com minhas bobagens cotidianas!! rsss Eita mulher encantadora!! rss
Sua, MERYL STREEP