Relatos ao Pé da Letra

Entradas do Setembro 2008

Leis.

Setembro 28, 2008 · Deixe um comentário

Tudo verdade!

NO BAR, ao ver cinzeiros nas mesinhas, pergunto:

- Garçon, aqui não pode fumar, né?

E ele:

- Claro que pode!

- Ué – digo eu, surpresa _  E aquela placa lá na recepção informando que é proibido fumar?

E ele:

- Ah! Aquela placa? É só por causa da lei…

(E eu pensando: “A lei é só pra pôr a placa?!?!”)

NO DIA DE RODÍZIO, ao ver a aluna saindo da aula numa segunda-feira antes das 20 horas, o professor perguntou:

- Hoje não é seu dia de rodízio? Você vai ser multada!

E ela:

- Eu vou escondido.

E o professor:

Mas e se te pegarem?

- Bom – diz ela – aí F… Porque minha carta está cassada desde janeiro.

(E o professor pensando que o problema era o rodízio…).

NO TRÂNSITO, meu amigo a toda velocidade cruza o sinal vermelho. O guarda pede para ele estacionar e pergunta:

_ O senhor não viu o sinal vermelho?

E ele:

_ Claro que vi! O que eu não vi foi o senhor aí pra me multar!

(E eu pensando que o problema era o semáforo).

RECÉM-SAÍDO DO HOSPITAL, a um amigo que acabou de fazer uma cirurgia, eu pergunto:

- Numa cirurgia dessas, você ficou só 1 dia internado? Não deveria ter ficado pelo menos uma semana?

E ele:

- Não. Os próprios médicos aconselham ficar o menos tempo possível no hospital pra gente não pegar infecção hospitalar…

(E eu pensando…)

PAREI DE PENSAR! Fica pra vocês pensarem.

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Diário Mínimo

Setembro 22, 2008 · 1 Comentário

Das coisas non-sense que já li, um trecho do conto Fragmentos do livro Diário Mínimo, de Umberto Eco, está certamente entre os mais demonstrativos da estupidez humana. Num fictício Congresso Intergaláctico de Estudos Arqueológicos “a realizar-se” no ano 121 D.E. (Depois da Explosão, que tornou extinta nossa civilização como hoje a conhecemos), cientistas no futuro tentam encontrar (e entender) vestígios desta nossa “antiqüíssima” cultura. O trecho começa assim: “E recordaremos que a Ciência italiana da época devia encontrar-se indubitavelmente avançada no capítulo das pesquisas genéticas, embora esses conhecimentos fossem provavelmente utilizados segundo fins de uma prática racista da eugenia, como sugere a caixa de um pacote que deve ter contido um medicamento destinado a melhorar a raça, com a inscrição OMO (alteração do latim homo e contração na gíria do Uomo itálico) – o branco mais branco“.  Não é ótimo?

Em Diário Mínimo, além de Fragmentos, Umberto Eco apresenta-nos à Mike Bongiorno. Quem trabalha com Comunicação ainda se espanta com a atualidade do texto: “O homem rodeado pelos mass media é no fundo, entre todos os seus semelhantes, o mais respeitado: não se lhe pede nunca senão que se torne aquilo que já é. Por outras palavras, são-lhe provocados desejos estudados segundo a pauta das suas tendências“.

Mais pós- moderno que isso, impossível.

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Meursault

Setembro 14, 2008 · 1 Comentário

Sempre que leio nos jornais que alguém matou alguém e depois foi ao cinema ou foi fazer outra coisa  “como se nada tivesse acontecido”, lembro-me inevitavelmente (mas com todas as ressalvas, é claro) de Meursault, que não chorou no enterro da mãe, que matou um homem sem motivo e que ao ser inquirido pelo juiz que o condenaria à morte sobre se ele estava arrependido do seu ato, respondeu simplesmente que “Mais do que verdadeiro arrependimento, sentia um certo tédio.”

Meursault é o personagem principal de “O Estrangeiro”, primeiro romance de Albert Camus (1913-1960), escritor que explorou de forma magnífica o tema do absurdo da existência humana. 

A história de “O Estrangeiro” é tão simples que chega a ser banal. Tão banal quanto a existência de Meursault que acaba sendo executado mais pela ausência de sentimentos que pelo crime cometido.

Meursault não mente, não omite, não engana, não trapaceia. Talvez seja isso que não perdoamos nele. Essa falta de “humanidade”.

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Terceira idade, segundo Fausto.

Setembro 7, 2008 · Deixe um comentário

Recebida do meu querido amigo de muitos anos, Affonso Heleno de Oliveira Fausto, esse prefácio escrito por ele para o livro de Ana Fraiman é de uma delicadeza ímpar sobre o tema. Pedi autorização ao Fausto para publicá-lo aqui porque diz respeito a todos nós… Hoje ou amanhã.

SEXUALIDADE E TERNURA  NA TERCEIRA IDADE 

PREFÁCIO (*) 

Querida Amiga, 

Você me pediu que apresentasse este seu livro. Opto por traduzir o que a sua leitura me provocou. Quero dizer algo do fundo de mim para os que apreciam ler livros.  

Tem gente que lê tarot. Tem gente que lê mão. 

E tem aqueles que, sobretudo, conseguem ler, nas marcas do corpo, toda a grandeza, a majestosa história de uma vida vivida. Acho que sou desses, ainda que reconheça humildemente, também, que não sei como deve ser a sexualidade na terceira idade. Mas, com certeza a ternura, o afeto e, se possível, o amor deverão ser seus componentes fundamentais. 

Pouco tempo faz, na manhã de um domingo tranqüilo e preguiçoso, ainda deitado, ouvi, surpreso, uma pergunta: “Posso fazer uma plástica?  Você não acha que estou precisando? O tempo passa e eu, quero dizer, nós, ora, afinal….”

Aí me dei conta de que não éramos mais crianças, tínhamos atingido, juntos, a temida meia idade. Definitivamente, somos um casal de meia idade, com muitos anos de alegrias e angústias, partilhando as surpresas da vida. 

Voltei à pergunta: “Porque a plástica? Por causa de uma discretíssima, imperceptível e sedutora barriguinha…? Lembra-se quando engravidou pela primeira vez, da emoção que nos invadiu ao percebemos uma vida tão querida ir tomando forma, ocupando espaço, se delineando, chutando, pedindo para nos conhecer, para ser amada? Pois é, começou aí… E da segunda vez, daquela menininha que nos deu tanta alegria após a dor da perda, dias antes, de um ente querido? Pois são essas imperceptíveis estrias que estão nos fazendo recordar todas essas coisas e, então, porque eliminá-las? Elas, as estrias e as gordurinhas, contam a história de nossas vidas, das vidas que geramos e que hão, se Deus permitir, de gerar outras vidas e chorar as nossas, quando partirmos. Seu corpo, assim como está, é o meu, o nosso diário, que começamos a escrever na própria pele, quando nos conhecemos. Seu sorriso, agora, traduz compreensão, amizade e indisfarçável cumplicidade. Afinal, nos amamos, nos entendemos e, principalmente, nos conhecemos”.   

“O busto? Ora, é de mulher, é lindo; alimentou, deu vida e, garanto, foi desejado pelos nossos filhos tanto quanto por mim, embora por motivos diferentes… Agora ele é só meu, descanso terno de minha cabeça grisalha. A plástica, pode fazer, mas com ela apagaremos a história de nossas vidas, cuja memória, então, só a teremos no coração”. 

Assim, minha Amiga, ler seu livro nos propiciou, a mim e a ela, essa redescoberta de nos mesmos e, como casal, reforçou nossos laços e nos tornou bonitos e desejáveis.  

Foi muito bom.  

Ótimo. Perfeito. Muito bom, mesmo!  

Aprendi. Acho, até, que fiquei melhor, amiga minha… Este seu livro será um manual da arte de viver (bem) a vida. Pelo menos, esta vida.  

Ele há de, com ternura, bom humor e afeto, atingir os corações abertos e cicatrizar as feridas da vida. Talvez, também, abrir as mentes fechadas, de medo ou por dor… E fá-lo-á com amor.  

Então, os moços e os nossos velhos saberão exercitar a sua sexualidade, fruindo a vida em toda a sua plenitude.  

Que Deus a abençoe.  

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Preguiiiiça.

Setembro 4, 2008 · 1 Comentário

Às vezes me bate uma preguiiiiiça quando ouço gente falando de coisas que há tempos se sabe sobre gente, como se fosse uma novidade, como se o ser humano com seus desejos, necessidades, expectativas, incoerências, incongruências, constâncias e inconstâncias tivesse começado a existir no dia em que essa gente saiu da escola e digitou sua senha pela primeira vez no computador da empresa… Bate mesmo uma enorme preguiiiça quando ouço gente falando de gente como se eles próprios não fossem gente…

Será que é a idade? Ou será que é a experiência?

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Comentário de um amigo no meu email particular:

“Acho que é a experiência, que não tem tolerância para bobagem. “

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Vida de cachorro.

Setembro 1, 2008 · 5 Comentários

Guri e Preto. Essa é a dupla de malfeitores que eu e meu marido sustentamos há sete anos um, três anos o outro.. Parecem uns anjinhos, mas eu lhes garanto que são dois pilantras. Já destruíram nossos móveis, comeram nossos sapatos, mastigaram nossas roupas, pulam na gente e sujam as nossas roupas sempre que a gente chega da rua, já enterraram dezenas de controles remotos, roubaram comida de cima da pia, de dentro da geladeira e até do tanque das tartarugas (agem em dupla), já se embriagaram, babaram nas nossas visitas, fizeram xixi nos  sapatos de nossos amigos, são os donos do sofá da sala – se alguém sentar, eles literalmente sentam em cima da pessoa sem a menor cerimônia, como se ela não existisse- lambem a cara dos outros, soltam pum na frente das visitas sem o menor constrangimento… Enfim, são dois vagabundos que nós não soubemos educar, mas por quem nós mudamos a nossa vida: podíamos ter nos mudado para um apartamento nas vezes em que ficou difícil morar numa casa bastava “doá-los”; podíamos ter feito viagens inesquecíveis bastava tê-los deixado num canil; podíamos ter um carro decente (e limpo) bastava não deixá-los entrar nele para passear; podíamos receber todo tipo de gente na nossa casa bastava prendê-los para não incomodar os que não gostam de cachorro; podíamos viver sem rinite, bastava não deixá-los entrar em casa… Mas quem resiste à carinha ”pedinte” desse Beagle e ao charme discreto desse vira-latas? Nós não resistimos. Somos loucos por eles. E eles só querem uma coisa: carinho.  Nós também. Tão fácil ser feliz…

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