Relatos ao Pé da Letra

Entradas do Julho 2008

O incrível destino de Zadig e Amèlie Poulain

Julho 27, 2008 · 1 Comentário

 O que podem ter em comum o babilônio Zadig, personagem de Voltaire no livro “Zadig, ou O destino” e a garçonete francesa Amélie Poulain, personagem do filme de Jean-Pierre Jeunet, que estreou em 2001 com o nome de “O fabuloso destino de Amèlie Poulain” ? 

Resposta? O destino.

Zadig é um cidadão que vive às voltas com as peças que o destino lhe prega. Sua vida é feita de altos e baixos, de evoluções e involuções, de vaivéns, de construções e destruições, de sortes e azares, de alegrias e tristezas, de perdas e ganhos, enfim, daquilo que é feita a vida de todos nós. O livro trata do imponderável, do inesperado, do que afeta ricos e pobres, bons e maus, indistintamente.  

 

Amèlie, por sua vez, é uma introvertida garçonete criada na periferia de Paris cujo único contato com o exterior é o trabalho atrás de um balcão. Um dia, ao descobrir uma caixinha cheia de lembranças de infância, decide procurar o dono  que, ao recebê-la de volta, tem a vida transformada. É aí que Amèlie descobre sua vocação para ajudar os outros e intervir na vida das pessoas, como o próprio destino. E passa a encarná-lo, em segredo, intervindo e transformando, de fato, a vida das outras pessoas, com alguns pequenos gestos.

 

 

Todas as vezes que me senti no absoluto controle da minha vida, reli “Zadig, ou O Destino”  para sair da “zona de conforto” e me lembrar de que o que define a vida da gente é a incerteza.

Agora,  todas as vezes que eu achar que perdi o controle de uma situação, vou rever “O fabuloso destino de Amèlie Poulain”  para me lembrar de que algumas vezes com um simples gesto eu posso, sim, mudar o destino dos outros. Assim como os outros podem mudar o meu destino.

O destino, afinal… São os outros?

 

Obs: de Voltaire, leia também “Cândido, ou O Otimismo” em que o filósofo critica o otimismo “Poliana”. Cândido é um ingênuo que viaja o mundo sempre às voltas com o mal e a ganância do ser humano. 

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The Story of Stuff

Julho 22, 2008 · 2 Comentários

Ainda não tinha assistido a esse vídeo de apenas 20 minutos da ativista e ambientalista Annie Leonard. Se eu já tinha ficado impressionada com “The Corporation”, agora fiquei assombrada especialmente com os números que nos acordam para a “insustentabilidade” do nosso planeta dominado por um consumismo, digamos, ”planejado”.

Uma frase chamou-me à atenção pois define perfeitamente o objetivo da publicidade nesse contexto de horror, que é ”o de nos tornar infelizes com o que temos”. E então compramos, jogamos fora, produzimos lixo, compramos, jogamos fora, produzimos lixo, compramos, jogamos fora… Indefinidamente, infinitamente, incessantemente, incontrolavelmente… Como se os recursos do nosso planeta fossem inesgotáveis.

E aí, lembrei-me de Paul Valèry, poeta e pensador francês, num texto que li no prefácio do livro “Modernidade Líqüida”, de Zygmunt Bauman:

Interrupção, incoerência, surpresa são as condições comuns de nossa vida. Elas se tornaram mesmo necessidades reais para muitas pessoas, cujas mentes deixaram de ser alimentadas por outra coisa que não mudanças repentinas e estímulos constantemente renovados… Não podemos mais tolerar o que dura. Não sabemos mais fazer com que o tédio dê frutos.”

E olhe que Valèry ainda não tinha visto nada…

Nem eu.

Para assistir ao vídeo “The Story of Stuff”:

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O bom boteco

Julho 19, 2008 · 1 Comentário

Meu marido Sérgio costuma dizer que um bom boteco tem que ter:

1) Cerveja em garrafa (nada de latinha), gelada na medida certa e de preferência das marcas Serramalte, Original e Bohemia, nessa ordem. Kaiser nem pensar!

2)  Pelo menos 01 petisco famoso ( ou ao menos petiscos saborosos e especiais). Tipo o “Bauru” do Ponto Chic ou a “Mineirinha” do Barbirô.

3) Atendimento nota dez. De preferência com garçons que olhem pra você e não para o jogo que está passando no telão e que não fiquem enchendo o copo da gente o tempo todo.

4) Cardápio pouco extenso. Desconfie de cardápios com “trocentas” opções. Pode significar que o boteco não é excelente em nada. Isso vale também para restaurantes.

5) Com música certa para o público certo. Se o boteco é famoso por tocar bossa nova, então nada de música sertaneja…Nem de vez em quando, certo?

É pedir muito?

Aí vão algumas dicas dos nossos botecos preferidos aqui em São Paulo: Bar do Luiz Nozoie (na av. Cursino), Barbirô (na Vergueiro), Espetinho da Aclimação, Ponto Chic (do Paraíso), Choperia Braungarten (do Shopping Paulista), Tortulla (na Santo Amaro, Brooklin), Genuíno (na Joaquim Távora), Bar do Giba (em Moema), Salve Jorge (no centro) e Galinheiro Grill (na Vila Madalena).

Mas tem muito mais… É só ir e voltar de táxi!

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Qual é o grande capital das empresas?

Julho 16, 2008 · Deixe um comentário

Dêem uma olhada no site da HSM: www.hsm.com.br  e vejam na íntegra este artigo que me foi enviado pela minha amiga Fátima Terada, mãe, esposa, filósofa, atuária, estatística, economista, humorista, administradora, profissional de estética e bem estar, empresária, consultora… Mas principalmente, SÁBIA! E olhem que de uma sabedoria oriental.

 Sobre o artigo, em princípio concordo com o autor. Mas a grande pergunta é: chegaremos lá? Ou o autor é uma espécie de “Poliana Pós-Moderna”? Deixo a resposta pra vocês.

 02 de julho de 2008
Em entrevista exclusiva, Jair Moggi explica como a mudança do paradigma de pensamento linear para o “pensar do coração” nas organizações pode gerar saltos quânticos, qualitativos, nos resultados dos negócios.

A espiritualidade é o grande capital desta era

Até por conta do regime militar, como sabemos, o Brasil ficou muito atrasado no que se refere a competitividade nos negócios. Quase todos os avanços que registramos datam da década de 1990 para cá. Mas agora essa cultura da competição parece estar fazendo com que as pessoas sofram. Qual é a saída? A competição desenfreada, inclusive interna às empresas, é realmente fundamental para o sucesso?

A reflexão que sugiro no tocante a essa pergunta parte da seguinte constatação: o que se consegue com a emulação da competição é tirar o melhor e o pior das pessoas. Um filme na praça que recomendo a todos os executivos e pessoas que se interessam pelo tema é Enron – Os Mais Espertos da Sala, distribuído pela Paris Filmes. Não é obra de ficção, é um documentário que reúne depoimentos reais e documentos e vídeos internos da empresa, apresentados na CPI do Senado americano, sobre o caso Enron. O filme é muito rico porque mostra o mal, como fenômeno espiritual, atuando numa organização de maneira muito explícita -e deu no que deu. O lado mais chocante do filme, para mim, é ver que foi uma cultura empresarial movida a competição que levou pessoas a fazer o que fizeram, reduzindo a pó bilhões de dólares, só para ficar nos danos materiais.

Então, qual é a alternativa para tirar o melhor das pessoas sem arriscar a tirar também o pior delas?

Eu acredito em valorizar o conceito de visão espiritual nas organizações. Como aglomerados humanos permanentes, as empresas são verdadeiras entidades coletivas vivas e, portanto, têm natureza espiritual, quer queiram, quer não.

Por quê? Explico. Quando um grupo de pessoas se junta com algum objetivo comum, seja ele qual for -desde fundar uma associação até criar um negócio-, elas estão se dedicando a um objeto imaterial -uma idéia, uma intenção, uma vontade, com pensamentos, sentimentos, atenção, trabalho e ações. E, por isso, elas acabam gerando uma cultura, um ambiente, um espírito coletivo.

O espiritual está naquilo que é imaterial para a empresa, aquilo que não pode ser apropriado pelos donos do capital, porque está inscrito na essência das pessoas, como idéias, valores, símbolos, conhecimento, informações, que circulam entre elas e no grupo etc. É disso que se alimentam as pessoas, é o que elas procuram: identidade com as demais pessoas, com as empresas, com as marcas, com um ideal, com os produtos, com os serviços.

Em minha opinião, a espiritualidade é o grande capital da nossa era, uma megatendência que influenciará, daqui para frente, todas as outras. O espiritual, que também pode ser definido como o impalpável, o simbólico, o tipicamente humano, é o que predominará nas próximas décadas. As artes terão mais valor, a sensibilidade e a beleza serão cada vez mais procuradas, a ética não poderá ser descartada jamais, a verdade e a transparência nas relações serão cada vez mais valorizadas.

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Idade e Maturidade

Julho 12, 2008 · 1 Comentário

O dicionário Aurélio diz que maturidade, no sentido figurado, significa excelência, primor, perfeição. Mas também firmeza, precisão, exatidão, prudência… E olhem só que poético: maturidade é a fase do ciclo vital de um lago na qual se registra certo equilíbrio entre o recebimento e a perda de suas águas.

É exatamente como me sinto perto dos 50 anos de idade. Hoje certamente eu colocaria muito menos em risco qualquer atividade por agir muito menos por impulso e muito mais com moderação. 

Na realidade, eu acredito que quando vem a maturidade, a gente vai se levando menos a sério. E isso é ótimo porque a gente, de fato, não é tão importante quanto a gente pensa que é quando se é jovem…
Maturidade não é velhice. Você bem pode ser um velho imaturo ou um jovem maduro. Conheço muitos. Minha filha é uma jovem madura. Meu irmão é um velho imaturo.
É como ouvi de um fisósofo da PUC outro dia num programa de televisão: nós, seres humanos, estamos a cada dia apresentando ao mundo a mais nova versão de nós mesmos. Afinal, como diz ele: não somos um objeto, um sapato que se desgasta com o tempo. Nossa mente se renova a cada dia.
É, enfim, a adolescência com prudência.
Ou então é como dizia Mário Quintana: “As velhinhas são brotos às avessas“ . Ou “O tempo é um ponto de vista. Velho é quem é um ano mais velho que a gente.”
Ou nessa máxima de Cronologia: “Se a infância ajudou o poeta?”, indaga-me uma entrevistadora. “Sim, o menino faz parte do adulto.” Já a misteriosa sabedoria do povo, por exemplo, nunca achou nenhum absurdo na devoção simultânea a Jesus Cristo e ao Menino Jesus. Deve ser por isso mesmo que escrevi num poema de 1945: “Jesus Cristo encontrou o menino Jesus.” E, vinte anos mais tarde, me aconteceu este verso: “Vem Jesus Cristo com o Menino Jesus ao colo.” Impossível maior coexistência. E nesse extraordinário poema autobiográfico que é Oito e Meio de Fellini, o menino e o adulto confundem-se. Porque, no fim das contas, a cronologia deve ser um truque do calendário para efeitos de computação histórica. Temos todas as nossas idades ao mesmo tempo.

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Primeiras linhas… Últimas linhas – Parte 2

Julho 8, 2008 · 1 Comentário

Amigos escreveram sobre suas “primeiras linhas” nos comentários que reproduzo aqui.

De Affonso Heleno de Oliveira Fausto, o homem que “inventou” a previdência privada no Brasil:

  • “Primeiro dia de aula hoje…” Cuore (Coração) de Edmundo D´Amici.
  • “Era em Megara, subúrbio (bairro) de Cartago, nos jardins de Amilcar… ;) Salambô – Gustave Flaubert.

De Alessandro Vasconcellos, que sabe tudo de inglês… E de português também (como se pode notar a seguir):

“Era uma vez… ” – Sítio do pica-pau-amarelo, de Monteiro Lobato.

E, por fim, eu me lembrei de uma primeira frase que não devia ter me esquecido:

“No princípio criou Deus o céu e a terra.” Da Bíblia Sagrada.

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Primeiras linhas… Últimas linhas.

Julho 6, 2008 · 2 Comentários

Pode parecer coisa de maluco, mas na minha cabeça eu faço “coleção” de alguns começos e finais de livros. Sinto que um dia vão servir para algo importante na minha vida. Não sei o porquê. Mas olhem só alguns que me vêm agora à cabeça e que estão reproduzidos a seguir, tal como eu me lembro; portanto, não são literais.

Primeira linha de Ana Karenina, de Leon Tolstói: ” Todas as famílias felizes são parecidas. As infelizes são infelizes cada uma a seu modo.”

Primeira linha de A Mulher de Trinta Anos, de Honoré de Balzac: “No começo de abril, houve uma manhã de domingo que prometia um desses dias radiosos em que os parisienses vêem, pela primeira vez no ano, as ruas sem lama e o céu sem nuvens.”

Primeira cena do primeiro ato de Macbeth, de Shakespeare: Primeira bruxa – “Quando voltaremos a nos encontrar? Com chuva, com vento ou a trovejar?” Segunda bruxa: – Quando esta encrenca ficar resolvida. Quando a batalha for ganha ou perdida.”

Primeira linha de A Força das Coisas, de Simone de Beauvoir: “Estávamos livres. Nas ruas, as pessoas cantavam: Não vamos mais vê-los. Acabou, eles foram embora. E eu repetia para mim mesma: Acabou: tudo está começando.”

No prefácio de O Amor e Outros Demônios, de Gabriel García Márquez: ” Parece que os cabelos vão ressuscitar muitos menos que as outras partes do corpo.” A frase é de Tomás de Aquino em Da Integridade dos Corpos Ressuscitados.

Última linha de As Intermitências da Morte, de José Saramago: “A morte voltou para a cama, abraçou-se ao homem e, sem entender o que acontecia, ela que nunca dormia, sentiu que o sono lhe pesava as pálpebras. No dia seguinte ninguém morreu.”

Primeira linha de O Estrangeiro, de Albert Camus, que escreveu sobre o absurdo da vida do homem contemporâneo: ” Hoje mamãe morreu. Ou talvez, ontem, não sei ao certo. Recebi um telegrama do asilo – Sua mãe morreu. O enterro será amanhã. Pêsames”. Isso não diz nada. Talvez tenha sido ontem.”

E a última frase, do mesmo livro: “Para que tudo se consumasse, para que eu me sentisse menos só, faltava desejar que tivesse muitos espectadores no dia da minha execução e que me recebessem com gritos de ódio.”

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Coaching: uma filosofia de vida.

Julho 1, 2008 · Deixe um comentário

Não tenho este espaço para fazer propaganda. Mas acredito que um curso de Coaching é importante para quem lida com pessoas seja em que nível for. Por isso, recomendo o curso “A Arte do Coaching” do Instituto Crescimentum, ministrado por Arthur Diniz. São dias que valem por uma carreira.
 
Entre outras coisas a gente aprende (ou reaprende) a tratar as pessoas como PESSOAS e não como custo ou recurso.
 
Entre outras coisas a gente aprende (ou reaprende) a perguntar a nossos alunos e subordinados como eles podem mudar determinadas situações, estimulando-os a PENSAR, e não a esperar que você dê a solução sempre. Aliás: ser líder NÃO É ensinar os outros a pensar e a agir como você.
 
Entre outras coisas a gente aprende (ou reaprende) que o nosso aluno ou subordinado não tem que GOSTAR de você, mas CONFIAR em você.
 
Entre outras coisas e, acima de tudo, se aprende que se você é insubstituível, é também impromovível, certo?
 
Coaching não é uma ferramenta, é uma filosofia de vida. Se você entender isso, vai entender tudo!
 
Curso “A arte do coaching”, Instituto Crescimentum: www.crescimentum.com.br
 
Acesse. Conheça. Eu recomendo!

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