O que podem ter em comum o babilônio Zadig, personagem de Voltaire no livro “Zadig, ou O destino” e a garçonete francesa Amélie Poulain, personagem do filme de Jean-Pierre Jeunet, que estreou em 2001 com o nome de “O fabuloso destino de Amèlie Poulain” ?
Resposta? O destino.
Zadig é um cidadão que vive às voltas com as peças que o destino lhe prega. Sua vida é feita de altos e baixos, de evoluções e involuções, de vaivéns, de construções e destruições, de sortes e azares, de alegrias e tristezas, de perdas e ganhos, enfim, daquilo que é feita a vida de todos nós. O livro trata do imponderável, do inesperado, do que afeta ricos e pobres, bons e maus, indistintamente.
Amèlie, por sua vez, é uma introvertida garçonete criada na periferia de Paris cujo único contato com o exterior é o trabalho atrás de um balcão. Um dia, ao descobrir uma caixinha cheia de lembranças de infância, decide procurar o dono que, ao recebê-la de volta, tem a vida transformada. É aí que Amèlie descobre sua vocação para ajudar os outros e intervir na vida das pessoas, como o próprio destino. E passa a encarná-lo, em segredo, intervindo e transformando, de fato, a vida das outras pessoas, com alguns pequenos gestos.
Todas as vezes que me senti no absoluto controle da minha vida, reli “Zadig, ou O Destino” para sair da “zona de conforto” e me lembrar de que o que define a vida da gente é a incerteza.
Agora, todas as vezes que eu achar que perdi o controle de uma situação, vou rever “O fabuloso destino de Amèlie Poulain” para me lembrar de que algumas vezes com um simples gesto eu posso, sim, mudar o destino dos outros. Assim como os outros podem mudar o meu destino.
O destino, afinal… São os outros?
Obs: de Voltaire, leia também “Cândido, ou O Otimismo” em que o filósofo critica o otimismo “Poliana”. Cândido é um ingênuo que viaja o mundo sempre às voltas com o mal e a ganância do ser humano.
Até por conta do regime militar, como sabemos, o Brasil ficou muito atrasado no que se refere a competitividade nos negócios. Quase todos os avanços que registramos datam da década de 1990 para cá. Mas agora essa cultura da competição parece estar fazendo com que as pessoas sofram. Qual é a saída? A competição desenfreada, inclusive interna às empresas, é realmente fundamental para o sucesso?