Eis um poema curto do sueco Tomas Tranströmer. É de uma delicadeza única ao tratar do fato de que fomos, afinal, feitos à imagem e semelhança de Deus (ainda que não estejamos completos). Se você ainda ainda não conhece, mas quiser conhecer mais desse poeta, leia “The half-finished heaven”. Vale a pena.
Igreja românica
Os turistas se apinharam na penumbra da enorme igreja românica
Arco se abrindo atrás de arco e nenhuma perspectiva.
A chama de algumas velas vacila.
Um anjo –não consegui ver a sua face—me abraçou
e o seu sussurro atravessou todo o meu corpo:
“Não se envergonhe de ser um ser humano, orgulhe-se!
Dentro de você um arco se abre atrás de outro, infinitamente.
Você nunca estará completo, e é assim que tem de ser.”
Lágrimas me cegaram
quando fomos conduzidos até a praça ferozmente ensolarada
junto com Mr. e Mrs. Jones, Herr Tanaka e a Signora Sabatini;
dentro de cada um deles arcos e mais arcos se abriam infinitamente.