Esses dias, ao ser contatada por uma amiga de adolescência através do Orkut, viajei trinta anos atrás em questão de segundos. Fico pensando que até para o passado a pós-modernidade nos leva com velocidade.

E aí, não sei bem o porquê, lembrei-me de um filme a que assisti na década de 90 e que se chama Stanno Tutti bene ou Estamos todos bem, de Giuseppe Tornatore, o mesmo que dirigiu Cinema Paradiso. Com trilha sonora magnífica de Ennio Morricone, é a história de Matteo Scuro, um siciliano funcionário de cartório – magistralmente interpretado por Marcello Mastroianni – já viúvo, que estranha que naquele ano os cinco filhos não foram visitá-lo como sempre fizeram. Decide, então, ir ele próprio desta vez fazer uma visita-supresa a eles. Como cada filho mora numa cidade diferente, o personagem acaba fazendo, de trem, uma viagem dos sonhos através da beleza incomensurável de cidades como Nápoles, Roma, Milão, Florença e Turim e vivendo uma cena que jamais esqueci: de um alce parado no meio da estrada, impedindo o trânsito e deixando as pessoas atônitas com sua imponência.
A cada nova cidade que chega, o personagem Matteo se depara, desiludido, com os problemas dos filhos que ele julgava “estarem todos bem”. O final é emocionante.
Mas o que me fez lembrar do filme é esse fato surpreendente de reencontrar pessoas que não se vê há tanto tempo mas que no momento do reencontro “parece que foi ontem”. Ainda não a encontrei. Mas quando encontrar, “queremos estar todos bem”, não é mesmo?